Logística Internacional
Principais gargalos logísticos no Brasil.
Gisele Souza
2/16/20263 min read
1. Dependência Excessiva do Transporte Rodoviário
Causa
Cerca de 60% a 65% da carga no Brasil é transportada por rodovias. Rodovías, muitas vezes em condições precárias, por falta de investimentos de Estados e municípios e União, em sua maioria.
A malha ferroviária é limitada e pouco integrada. Não há investimentos necessários em infraestrutura ferroviária ,há cerca de 24 anos, segundo levantamentos feitos em 2024. No entanto, desde 2019 e intensificado em após 2022,há uma discreta retomada de investimentos,focados em ferrovias de carga (concessões e renovações). Atualmente ,busca-se recuperar o tempo perdido,com o setor privado assumindo a maior parte dos investimentos, focados em ferrovias de carga,enquanto o poder público tenta viabilizar novos projetos ferroviários.
Portos e aeroportos carecem de ligações eficientes com hinterlands. Essa carência traz grandes dificuldades nas movimentações de cargas A hinterlândia refere-se à área geográfica em terra conectada a um porto, de onde vêm as cargas de exportação e para onde vão as de importação. A Hinterlandia depende de conexões (rodovias, ferrovias e hidrovias) para movimentar mercadorias entre interior e porto.
Conforme detalhado acima há grandes dificuldades de conexões logística fazendo com que apesar de esforços em todas as pontas, o Brasil ainda depende sobremaneira do modal rodoviário na integração logística.
Efeitos
Custos elevados de frete, pressionando preços finais de exportação.
Aumento de acidentes e avarias, reduzindo confiabilidade.
Alta dependência do preço do diesel e volatilidade do mercado.
Implicação
O Brasil se torna menos competitivo frente a países que exploram modais mais baratos (ferrovia, hidrovias).
2. Infraestrutura Portuária Insuficiente
Causa
Portos como o de Porto de Santos enfrentam limites de capacidade.
Calados insuficientes para navios maiores reduzem competitividade.
Efeitos
Congestionamentos e atrasos em janelas de exportação e importação, causando frequentemente falta de containers vazios prejudicando as exportações.
Custos adicionais com armazenagem e demurrage (permanência de contêineres) e detention na exportação.
Implicação
Atrasos amplificam os custos logísticos e geram incertezas para mercados internacionais, especialmente em produtos perecíveis.
3. Baixa Integração Multimodal
Causa
Falta de estratégia clara de integração entre rodovias, ferrovias, hidrovias e portos.
Infraestrutura multimodal ainda incipiente em muitos eixos.
Efeitos
Transporte multimodal pouco utilizado, mesmo quando mais eficiente.
Perda de oportunidades de redução de custo e tempo.
Implicação
A competitividade do Brasil sofre no longo prazo, pois modais como ferrovias poderiam reduzir custos e melhorar o resultado de nossa cadeia de suprimentos,onde as cargas seriam entregues com maior rapidez e eficiência.
4. Burocracia Aduaneira e Regulatória
Causa
Processos de liberação de cargas ainda envolvem múltiplos órgãos e etapas.Nossa aduana é uma das mais burocráticas do mundo,principalmente na importação,pois,há uma necessidade imensa de proteção de nossa indústria em detrimento de produtos importados em demasia.
Sistemas e processos nem sempre totalmente digitalizados ou integrados. Apesar da entrada do portal único na exportação rodar bem há alguns anos, ainda não conseguimos inserir em sua totalidade a importação, o que dificulta nossa performance total na cadeia logística de suprimentos
Efeitos
Aumento de prazos de desembaraço aduaneiro.
Com a entrada da importação no portal único é esperado em média que um processo de importação caia de 8:00 hrs para 5:00 hrs.
Implicação
Diminui a atratividade do Brasil para importadores/exportadores que priorizam eficiência.
Custos logísticos mais altos para empresas fora dos “eixos portuários”.
Gaps na integração de cadeias produtivas regionais ao comércio internacional.
Barreiras internas ao desenvolvimento econômico e exportador de estados mais distantes dos portos principais.
Impacto Sistêmico
Gargalo Impacto Direto Consequência para o Brasil
Rodoviário dominante Custo e tempo altos Menor competitividade
Infraestrutura portuária limitada Atrasos/demurrage/detention Custos crescentes
Integração multimodal fraca Subutilização de modais eficiente Ineficiência sistêmica
Burocracia aduaneira Tempo de liberação longo Risco e imprevisibilidade