CRISE NO MÉXICO - VIOLÊNCIA EM ÁREAS TURÍSTICAS

O Exército mexicano informou que matou neste domingo (22/2) o poderoso chefe do narcotráfico Nemesio Oseguera. Conhecido como "El Mencho", ele era líder do Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG) e um dos homens mais procurados pelo México e pelos Estados Unidos.

Gisele Souza

2/23/20263 min read

a mexican flag flying high in the sky
a mexican flag flying high in the sky

O Exército mexicano informou que matou neste domingo (22/2) o poderoso chefe do narcotráfico Nemesio Oseguera. Conhecido como "El Mencho", ele era líder do Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG) e um dos homens mais procurados pelo México e pelos Estados Unidos.

A operação militar foi realizada no município de Tapalpa, a 130 quilômetros ao sul de Guadalajara, capital de Jalisco — Estado sede de quatro partidas da próxima Copa do Mundo de 2026.

Sob a liderança de "El Mencho", o CJNG se tornou uma das organizações criminosas mais poderosas e violentas do país.

Supostos integrantes do crime organizado responderam à morte do traficante com bloqueios a diversas vias nos estados de Jalisco, Michoacán (oeste do México) e Tamaulipas (norte), em meio a confrontos com forças federais de segurança. Em Guanajuato, houve incêndios em farmácias e lojas.

O governador de Jalisco, Pablo Lemus, confirmou que a operação resultou em "confrontos na região" e que, como reação, "em diferentes pontos de Jalisco indivíduos queimaram e atravessaram veículos para impedir a ação das autoridades".

A embaixada dos EUA no México divulgou um comunicado informando que "devido às operações de segurança em curso em vários estados e aos bloqueios de rodovias e atividades criminosas relacionadas, cidadãos norte-americanos nessas regiões devem buscar abrigo até novo aviso".

E o atual governo de Donald Trump incluiu o CJNG em uma lista de organizações terroristas que busca combater no continente americano.

A designação mudou a forma como os agentes norte-americanos estruturam seus casos contra os cartéis. Antes, eles precisavam justificar uma ameaça a um cidadão dos EUA; agora, qualquer vínculo com o grupo já é motivo de investigação.

A escalada da violência ligada ao combate ao crime organizado no México provocou uma onda de cancelamentos de voos e impactou diretamente o turismo em algumas das regiões mais visitadas do país. Aeroportos estratégicos, como Puerto Vallarta e Guadalajara, registraram paralisações, atrasos e restrições operacionais, deixando passageiros sem opções de embarque e com planos de viagem comprometidos.

O aeroporto internacional de Puerto Vallarta, um dos principais destinos turísticos do México, chegou a ter voos internacionais suspensos, afetando companhias como Air Canada, United e Delta. Já em Guadalajara, embora o aeroporto tenha permanecido aberto, atrasos e cancelamentos foram registrados devido a medidas de segurança e dificuldades de acesso.

O impacto se estendeu também a voos domésticos, com companhias ajustando suas operações diante do cenário de risco. A presença de forças de segurança foi ampliada nos terminais, mas bloqueios em rodovias dificultaram o deslocamento de passageiros.

Diante do agravamento da situação, governos de diferentes países emitiram alertas a seus cidadãos. Autoridades dos Estados Unidos, Canadá e Reino Unido recomendaram que turistas permaneçam em seus hotéis, evitem deslocamentos desnecessários e acompanhem orientações locais.

Os avisos também destacam o risco de bloqueios em estradas, confrontos e interrupções no acesso a aeroportos, além da necessidade de monitorar atualizações em tempo real.

Companhias aéreas adotaram medidas emergenciais, como flexibilização de passagens, permitindo remarcações ou cancelamentos sem custo adicional.

A capital de Jalisco, Guadalajara, foi transformada numa cidade fantasma no domingo à noite. As aulas foram canceladas na segunda-feira em vários estados. As autoridades de Jalisco, Michoacan e Guanajuato relataram pelo menos 14 mortos, incluindo sete soldados da Guarda Nacional.

A Agência Antidrogas dos EUA (DEA) considera o cartel tão poderoso quanto o cartel de Sinaloa, um dos grupos criminosos mais infames do México, com presença em todos os 50 estados dos EUA. É um dos principais fornecedores de cocaína ao mercado americano e, tal como o cartel de Sinaloa, ganha milhares de milhões de euros com a produção de fentanil e metanfetaminas.

No entanto, o Cartel de Sinaloa ficou mais fraco devido a conflitos internos após perder os seus líderes, Ismael "El Mayo" Zambada e Joaquín "El Chapo" Guzmán, ambos detidos nos Estados Unidos.

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, criticou a estratégia usada por governos anteriores, que consistia em eliminar líderes dos cartéis mas acabava por provocar mais violência quando os grupos se dividiam. Apesar de continuar a ser popular no México, a segurança é uma preocupação persistente e, desde que o presidente dos EUA, Donald Trump, tomou posse há um ano, tem estado sob uma enorme pressão para mostrar resultados contra o tráfico de droga.