Consequências arriscadas da continuação da guerra!

Depois de 3 semanas do conflito Irã, Israel e EUA, de repente, perdemos até as razões e porque essa guerra começou! Vamos voltar um pouco ao início de tudo para não perdermos literalmente o fio da meada.

Gisele Souza

3/15/20261 min read

green grass field under white sky during daytime
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Depois de 3 semanas do conflito Irã, Israel e EUA, de repente, perdemos até as razões e porque essa guerra começou!

Vamos voltar um pouco ao início de tudo para não perdermos literalmente o fio da meada.

-Os Estados Unidos queriam fazero primeiro ataque em Janeiro e os países do Golfo imploraram para que não acontecesse,pois,não estavam preparados.

-Dessa maneira EUA, partiram para negociação do programa nuclear com o Irã, e a base da negociação era que o Irã parasse de enriquecer urânio imediatamente e obviamente,o Irã não aceitou de jeito nenhum.

-Israel à esta altura dos acontecimentos,já lida com o Irã há muito tempo e já queria ter derrubado o regime do Irã na guerra do ano passado, o que os EUA não estava convencido.

-O Irã,Israel,EUA chegaram à conclusão que a guerra era uma boa saída já que não haveria consenso. O Irã não têm posição de barganha.

-Mataram o líder supremo do regime e acharam que o Irã recuaria e isso não está acontecendo,houve uma aposta dos EUA e Israel que não deu certo, até o momento.

Com o breve resumo acima,voltamos às atuais consequências da guerra,principalmente para o Brasil.

Com a guerra, todo o mundo está preocupado e olhando o preço da gasolina,mas quase ninguém está pensando no preço do alimento.

O fechamento do estreito de Ormuz não bloqueou só o combustível! A ureia,o fertilizante mais usado no mundo,também passava por ali e subiu 28%.Sem a ureia a safra não acontece,não há substituto e as consequências podem ser devastadoras!

Mais de 60% de todo o milho produzido no mundo vai para alimentar um animal.

No Brasil,por exemplo,ele forma 70% da ração de frangos e suínos. A ração,por sua vez,representa até 70% do custo total de produção de carne.

Mas o milho não para na carne.É matéria-prima do etanol, dos plásticos,das borrachas e dos adesivos.

Mas qual é o problema? O milho é uma das culturas que mais consome fertilizante no mundo.

SEM FERTILIZANTE NÃO TÊM MILHO.

O fertilizante nitrogenado mais usado no mundo se chama ureia.

Para produzi-lá,é preciso reagir amônia com dióxido de carbono num processo que consome uma quantidade enorme de energia.

A forma mais barata de fazer isso é queimando gás natural.

40% à 50% de todas as exportações mundiais de fertilizane nitrogenado vêm do Oriente Médio: Irã,Qatar,Árabia Saudita e Emirados Árabes.

O Qatar é o segundo mais exportador de gás natural do mundo.

Com a guerra e o fechamento do Estreito de Ormuz, o Qatar paralisou seus terminais de liquefação de gás.

SEM GÁS,SEM FERTILIZANTE. SEM FERTILIZANTE SEM PRODUÇÃO AGRÍCOLA.

Os especialistas em energia,estimam que,mesmo que a guerra terminasse amanhã, levaria 2 semanas à um mês para gás de Qatar voltar à produção.

E por consequência,a recuperação da produção de levaria muito mais tempo do que o esperado para recuperação do setor agrícola. O efeito sobre a produção que depende deste gás barato,é devastador. E o momento é o pior possível,o início da temporada de plantio no hemisfério norte,que precisa adubar as lavouras agora.

O agricultor não pode esperar o preço do fertilizante normalizar. Ele precisa plantar agora para não perder a janela da safra.

Com 39 milhões de hectares de milho que precisam ser adubados nas próximas semanas. Imaginem comprar fertilizantes com 28% de aumento deixa de ser uma escolha,é uma necessidade e quem pagará essa conta no final somos nós os consumidores.

O enxofre,assim como a ureia,é insumo essencial para produção agrícola.

Os 2 estão represados no mesmo gargalo,ao mesmo tempo,na mesma região.

Temos um único beneficiário nesse cenário. A CF INDUSTRIES é uma das maiores produtoras de fertilizante nitrogenado do mundo e opera quase inteiramente nos EUA.O fechamento de Ormuz não afeta sua produção! Enquanto metade da oferta global desaparece,ela continua produzindo e com a escassez, obviamente cobrando mais caro.

A lógica desta empresa é a mesma lógica dos armadores que estão navegando com os transponders desligados. Muitas vezes o caos é uma janela de oportunidades para muitos outros.

O efeito Brasil já iniciou. Nós importamos 85% dos fertilizante da região do Golfo Pérsico.

O custo de produção já está aumentando no campo e nós vamos começar à pagar por isso em breve.

Algumas consequências imediatas:

-Diesel mais caro para colheita.

-Fertilizante mais caro para plantar na próxima safra.

-Frete marítimo mais caro para importar os insumo.

Os choques acima chegando ao mesmo tempo para o mesmo produtor, e com consequência imediata para nós consumidores.

O petróleo sentiremos no posto de gasolina ao abastecer.

O fertilizante vamos sentir daqui alguns meses nos supermercados,pensando que os supermercados ainda têm estoque.

Carne mais cara, grãos mais caros, tudo que depende de milho mais caro.

Podemos concluir com este post, a guerra não é só uma crise de energia. É uma crise de comida em câmera lenta e um caos logístico à vista, com falta de containers vazios para exportação e suas consequências econômicas na balança comercial, câmbio e tudo o mais,em um ano de eleições no Brasil.